Dezenas de personalidades estiveram presentes no Palácio do Planalto na manhã desta quinta-feira (31) para participar do Encontro com Artistas e Intelectuais em Defesa da Democracia. Para o ex-presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e liderança histórica da esquerda brasileira, Roberto Amaral, o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, além de ilegal e inconstitucional, pretende mudar o rumo do País e prejudicar os avanços sociais conquistados nos últimos 13 anos.
“O grande objetivo do golpe é mudar o eixo deste país, é impedir a continuidade da emergência das massas. A direita brasileira aceita quase tudo: aceita um pouco de democracia, aceita um pouco de soberania, mas não aceita a emergência das massas”.
A jornalista Rose Nogueira questionou a legitimidade do processo conduzido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
“Como é que uma pessoa, presidente da Câmara, com não sei quantos processos, que abertamente diz que domina aquele espaço, processado e réu no Supremo Tribunal Federal, vai pedir o impedimento de uma pessoa inocente e honesta?”.
Rose dividiu cela com a presidenta Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo, durante a ditadura militar. Para ela, a luta da presidenta pela democracia deve ser lembrada e, por isso, apoiada neste processo de impeachment.
“Quem já lutou como a Dilma no passado agora tem a obrigação de lutar por ela. Dilma é uma das pessoas que conquistou a democracia para nós, uma das pessoas que, se tivesse que dar a vida, teria dado. Agora está na hora de lutar por ela”.
O sociólogo Emir Sader fez questão de ressaltar que Dilma não tem nada a ver com a Operação Lava Jato, ao contrário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Para Sader, interrupção do processo democrático, neste momento, é golpe.
“Mais ainda porque não há justificativas. Ela não é ré em nada.”
Já a professora da Universidade de Brasília (UnB), Rebeca Aberes, veio ao encontro para representar um grupo de 580 professores e pesquisadores estrangeiros. Ela entregou à presidenta o Manifesto de Intelectuais Estrangeiros sobre a Crise no Brasil.
“O manifesto articula uma preocupação de que está havendo um processo de desestabilização de um governo eleito. Um presidente não pode ser derrubado só porque não tem popularidade ou porque a economia vai mal”, explicou Aberes.
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