domingo, 30 de outubro de 2016

Prefeito reeleito do Recife diz que é preciso voltar a acreditar na política

  • 30/10/2016 23h17
  • Recife
Sumaia Villela - Correspondente da Agência Brasil
Com um tom de conciliação e defesa da política como um meio necessário para a sociedade, o prefeito reeleito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), fez seu primeiro discurso depois do resultado do segundo turno, em um hotel de Boa Viagem, hoje (30) à noite. “A política é necessária. As pessoas precisam voltar a acreditar na política. E a gente pôde ver esse ano que muita gente estava fazendo isso pela primeira vez”, disse.
O prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), disputa a reeleição
O prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), obteve 61,30% dos votos válidosJosé Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Júlio obteve 61,30% dos votos válidos, enquanto o ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) conseguiu 38,70%. Foi a maior votação já conquistada na disputa pela prefeitura da capital pernambucana e a segunda maior votação em capitais brasileiras no segundo turno, apesar de pequena margem de diferença em relação a outras disputas. O mais votado, proporcionalmente, foi Dr Hildon (PSDB), eleito em Porto Velho (RO).
De acordo com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), a eleição de Geraldo Júlio era uma prioridade para o PSB nacional. Com essa última vitória, a legenda passa a comandar 70 dos 185 municípios do estado. Como prefeito, ele homenageou o responsável por eleger ambos os chefes do Executivo, que não tinham experiência em cargos eletivos: o ex-governador e ex-candidato à Presidência da República Eduardo Campos.
O vice-prefeito Luciano Siqueira (PCdoB) disse que, diante de um quadro de crise, “confusão de ideias” e instabilidade institucional, econômica e financeira, Geraldo surge como “um líder, uma marca particular que tem a maior importância nesse cenário político brasileiro, que é a capacidade de unir os diferentes”. Sua coligação, Frente Popular do Recife, teve 20 partidos.
Unificação
Geraldo Julio também repetiu, em diversos trechos do discurso e depois, na breve entrevista que deu à imprensa, que é preciso unificação para superar a crise. "Nós queremos governar para todo o Recife. O Brasil já vive um momento de muitas dificuldades e o que a gente quer é unir os recifenses para poder vencer essas dificuldades", disse. Questionado como faria o prometido em um cenário de baixa arrecadação e queda de repasses federais, Julio disse que a prefeitura "aumentou a capacidade de investimento” e vai continuar nessa linha. “É muito mais, em tempo de vacas magras, do que se fazia antes. Vamos continuar esse trabalho".
A prioridade dos próximos quatro anos, segundo o político, é a educação. “É pela educação que a gente constrói um futuro. Então a gente tem como ação mais importante até agora, todo trabalho, todo investimento, toda transformação que a gente vem fazendo na educação a gente vai continuar com isso. Mas cuidando sobretudo de combater desigualdade, injustiça e gerar oportunidade", diz.
Depois de falar com a imprensa Geraldo Júlio foi comemorar a vitória no Marco Zero, localizado no histórico Bairro do Recife (conhecido como Recife Antigo), onde um palco foi montado na Avenida Rio Branco. Atrações musicais estavam previstas para a festa.
Candidato derrotado
João Paulo também falou com a imprensa, em seu comitê de campanha, depois da divulgação do resultado. Ele disse estar feliz com o resultado. “Foi uma grande vitória ter passado para o segundo turno”, avaliou, e atribuiu a vitória do oponente a uma série de fatores – e aproveitou a oportunidade para criticar o governo de Geraldo Júlio.
“Eu acho que nós acertamos 100% na política. Estou altamente convencido, fazia muito tempo que eu não via o PT tão unificado, apesar das dificuldades que tivemos. Fazia muito tempo que eu não via tanto militante ir para as ruas, de forma espontânea, fazer a campanha. Mas vocês hão de convir que o 'David Copperfield' [se referindo a Geraldo Júlio] vendeu uma realidade e enganou parcela da população. A realidade mostrada no seu programa, muito competente tecnicamente, mas fruto de uma ficção”, disse.
Para o ex-prefeito, o resultado das eleições expressou também uma “perseguição seletiva por parte da mídia nacional”. “Tivemos muita dificuldade por causa do ódio que foi colocado contra o Partido dos Trabalhadores nacionalmente”, disse. Ele também cita as dificuldades financeiras passadas na campanha, que teve menos recursos que a do PSB.
O metalúrgico, que antes de Geraldo Júlio tinha sido o único prefeito do Recife a ser reeleito, quando questionado sobre os planos pós eleição, disse que seu futuro “é com o povo”. “É a luta, a resistência. Um político de verdade, que honra a luta do povo, não pode fazer tudo para estar em um cargo, seja de vice ou de prefeito, eu nunca faria isso”, disse. “Vamos ver mais para frente que cargo vou disputar. Mas não tenho nenhuma pretensão de sair da eleição pensando em disputar”.
O PT informou que continuará sendo oposição ao PSB em Pernambuco e que o projeto dos socialistas deixou de ter compromisso com o estado e com o Recife e passou a objetivar a manutenção de um grupo no poder.
Números
Dos 1.119.245 das pessoas aptas a votar na capital pernambucana, 86,84% compareceram às urnas, 147.282 eleitores se abstiveram de participar da votação neste domingo. Votos nulos são 7,87% do total válido, ou 76.523 pessoas e os brancos, 3,46% ou 33.589. Somado aos eleitores que se abstiveram, 257.394, representa quase 23% dos aptos a votar.

Edição: Fábio Massalli

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