Empresário ligado a caça-níqueis é preso em Nova Friburgo
RIO - Personagem central no escândalo do desvio de recursos federais enviados à Região Serrana para ajudar na recuperação das cidades atingidas pelas chuvas em janeiro de 2011, o empresário no ramo da construção civil Sávio Silva Oliveira, de Nova Friburgo, foi preso nesta terça-feira pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Além de Sávio, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou mais 27 pessoas por contrabando, descaminho, formação de quadrilha e crime contra a economia popular, cujas penas podem chegar a até oito anos de prisão.
Dos 28 acusados que tiveram prisão preventiva decretada pelo juízo da 4ª Vara Federal Criminal da capital, só quatro ainda não tinham sido capturados até a noite desta terça. Entre os denunciados há dois policiais: um civil e um militar. A Justiça ainda expediu 47 mandados de busca e apreensão em imóveis e empresas dos envolvidos.
Segundo o MPF, o grupo era responsável pela exploração das máquinas sediadas em Nova Friburgo, com ramificações em Cachoeiras de Macacu. A quadrilha recebia as máquinas de uma fábrica em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Sávio, conhecido como “Savinho das Maquininhas”, é apontado como chefe da máfia e já havia sido condenado, em primeira instância, por outros crimes similares, ao manter ilegalmente um bingo em Nova Friburgo — onde existiam mais de 160 Máquinas Eletronicamente Programas (MEP's) — e colocá-lo em nome de laranjas. Ele aguardava o recurso em liberdade.
A operação da PF, batizada de Brasileia, foi deflagrada por volta das 6h de ontem e teve apoio do 7º Comando de Policiamento de Área (CPA) e da Corregedoria Geral Unificada da Secretaria de Segurança Pública. Na casa de Sávio, os policiais federais encontraram cerca de R$ 115 mil em dinheiro, além de documentos e computadores.
Quadrilha dava benefícios
A quadrilha foi identificada após a Polícia Federal e a Polícia Militar apreenderem máquinas caça-níqueis em Nova Friburgo, entre 2006 e 2011. Apesar da repressão, o jogo continuava a pleno vapor, o que chamou a atenção dos investigadores. Foi constatando que o material pertencia ao grupo chefiado por Sávio. A organização chegou a montar uma rede de apoio e proteção a seus integrantes, com pagamentos de comissões, além de benefícios como carros e motos, seguros de vida e assistência jurídica.
Entre os presos estão o PM Unaldison Cosme Batista de Souza Filho e o policial civil Paulo Roberto Bueno, denunciados pelo MPF por facilitação dos 118 crimes de contrabando imputados aos demais réus. Segundo a Polícia Federal, o nome da operação foi inspirado na cidade suíça Basileia, já que Nova Friburgo, principal ponto de exploração do grupo, foi colonizada por suíços.
Na época da tragédia na Região Serrana, a empresa Formato, de propriedade de Sávio, foi, segundo investigações do Ministério Público Federal, beneficiada com o desvio de recursos destinados à recuperação de escolas municipais e estaduais. O empresário já respondia a outro processo, em denúncia oferecida ano passado pela Procuradoria Regional da República da 2ª Região ao Tribunal Regional Federal, acusado de fraude em licitações, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, alguns crimes cometidos até 12 vezes.
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