segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Após festa de 300 mil, Legislativo Macaense vive um escândalo após outro

 
















Sucessivos escândalos afundaram o Legislativo Macaense em uma crise de credibilidade sem precedentes. Atitudes unilaterais tomadas pelo presidente da Casa, vereador Eduardo Cardoso (PPS) 
 
 

Uma festa de arromba: sessão solene que custou R$ 296,5 mil (cerca de R$ 1,7 mil por minuto) desencadeou série de escândalos
Sucessivos escândalos afundaram o Legislativo Macaense em uma crise de credibilidade sem precedentes. Atitudes unilaterais tomadas pelo presidente da Casa, vereador Eduardo Cardoso (PPS) e por alguns de seus pares, acabaram ganhando eco devido às denúncias expostas no jornal Expresso Regional e nas redes de televisão Record e Globo. Tudo começou no dia 5 de agosto, quando o Expresso trouxe à tona dois contratos da Câmara, um de R$ 296,5 mil e outro de R$ 933 mil. Erroneamente a Câmara colocou na destinação dos dois contratos o mesmo serviço de locação de carros. No entanto, o primeiro contrato, na verdade era para a realização da sessão solene do aniversário de Macaé. Festa, aliás, que custou mais de 1.700 reais por minuto.
 
Na mesma semana da denúncia do Expresso, o presidente da Câmara, Eduardo Cardoso assumiu em plenário, e também por nota oficial divulgada por sua assessoria, que realmente gastou quase R$ 300 mil na festa, o que já seria um escândalo, por si só. No entanto, ainda naquela semana, as câmeras de TV Record trouxeram à tona outro escândalo: o da locação de automóveis. Na reportagem, a emissora questionava o valor do contrato: 933 mil reais. O valor foi gasto para a locação de 17 carros de luxo (modelo Cobalt), um para cada vereador. A reportagem argumentou que, com o mesmo valor daria para comprar os mesmos carros e ainda sobraria. Além dos carros, os vereadores têm direito a 700 litros de gasolina, não inclusos no contrato de locação.
 
Já a Rede Inter TV, afiliada da Rede Globo denunciou, duas semanas depois, o incoerente gasto de R$ 300 mil realizados pela Câmara em uma única festa. A reportagem reproduziu os fatos denunciados pelo Expresso, no último dia 12 de agosto. Na solenidade dos 200 anos de Macaé, numa festa restrita a cerca de 400 convidados e que durou aproximadamente três horas, foram gastos cerca de 740 reais por pessoas e mais de 1.700 reais por minuto. Uma festa digna de Eike Batista, quando ainda figurava na lista dos 10 homens mais ricos do mundo.
 
Agora a “bola da vez” foi o vereador Julinho do Aeroporto (PPL). Em um furo de reportagem, a Rede Record flagrou o parlamentar indo a um jogo de futebol como carro alugado (o Cobalt de luxo) da Câmara Municipal. A matéria teve enorme repercussão e, pressionado pela revolta popular, o vereador acabou abrindo mão do carro alugado e do telefone celular institucional (cada vereador tem direito também a um celular, com 600 minutos de ligações bancados pela Câmara). A atitude de Julinho foi corajosa. Porém, ao devolver seu carro de luxo, acabou colocando os demais 16 colegas em situação bastante incômoda: já existe uma campanha nas Redes Sociais para que os demais vereadores também devolvam seus carrões ou que o contrato de aluguel seja rescindido.
 
Perseguição? — É bom que se destaque que as decisões de alugar carros de luxo ou realizar festas com valores questionáveis são deliberadas unilateralmente pelo presidente da Câmara. No entanto, suas atitudes acabaram manchando a imagem dos demais vereadores que, para recuperarem a sua imagem, precisaram dar uma resposta à população e tomar alguma atitude em relação à mesa diretora. “É bom que se deixe claro que fui o único vereador que não votou na atual diretoria. E que os vereadores não assinam contratos de compra e aluguel. Isso é deliberação exclusiva da mesa diretora”, disse o vereador Marcel Silvano (PT), um dos que foram mais criticados, mesmo não fazendo parte da diretoria.
 
O presidente da Câmara se recusa a dar entrevista aos meios de comunicação televisivos (apenas o vice-presidente, Maxwell Vaz concedeu entrevista). Mas, em plenário, vários vereadores falaram em “perseguição por parte da mídia”. Na sessão da última terça-feira (20), o vereador Cezinha (PSL) chegou a solicitar da mesa diretora que a Rede Record fosse processada. A principal bronca é com o apresentador da emissora, Alexandre Tadeu que, por acaso, é vereador no município de Campos. Naquela cidade, aliás, os vereadores abriram mão de usar carros oficiais. 
 
Matéria publicada no jornal EXPLESSO REGIONAL 
em 23 de agosto de 2013.

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